Quinta-feira, 04.03.10

Quarentamaisum

O tempo tem sido pouco, as actividades muitas e a falta de disciplina constante. Para trás ficam comentários para responder, desafios para agradecer e blogs para visitar.

 

Vamos mudar de casa, tal como mudámos de vida. Vamos continuar aqui e porque hoje é dia de festa e porque a festa sem vocês não faz sentido peço-vos que me acompanhem à minha nova casa, se sirvam de uma fatia de bolo e festejem comigo mais um ano

 

                                     quarentamaisum

 

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Terça-feira, 23.02.10

Desafio em Cadeia - Round V

A Mafalda já leu e quer passar o livro aqui ficam as palavras dela, o meu agradecimento e votos para que o desafio não pare.

 

 

"É agora que sai. Em linhas gerais já sabem como é do post anterior. - Eu dou-vos uma palavra e vocês escrevem qualquer coisa sobre ela (uma frase, um poema ou mesmo um texto); - As respostas podem ser feitas por comentário ou para o e-mail que tenho no meu perfil. No entanto eu prefiro que usem o e-mail ou teria que moderar os comentários (desculpem, mas eu sou um pouco “naba” para estas coisas da informática). - Os trabalhinhos devem ser entregues no prazo de uma semana. - O vencedor recebe um livro e coloca o mesmo desafio no seu blog e compromete-se (depois de ler o livro claro está) a passar o livro a quem vencer o seu desafio e quem o vencer irá fazer o mesmo, dando-lhe continuidade. - Resta dizer que o livro de conteúdo muito envolvente é passado na maior parte do tempo na Argentina, entre Buenos Aires e as Pampas e ainda com alguns capítulos em Londres e numa quinta em Gloucestershire. A história fica para vocês descobrirem. O seu título é A Árvore dos Segredos da autora Santa Montefiore. Está tudo dito. Resta-me desejar-vos muita inspiração e a mim mesma, muita participação. Como??? Ah! Pois claro! Falta dizer o mais importante! - A palavra é: CUMPLICIDADE E não se esqueçam que ficar só assistindo não dá gozo nenhum"

 

Quanto a mim vou tentar fazer um texto sobre o assunto apenas como motivação e incentivo uma vez que não posso participar.

 

Boas escritas e participem .

Quinta-feira, 18.02.10

Noticias em Forma de Post


 

Hoje dia 18 de Fevereiro de 2010 o mundo gira ao som das noticias que informam que Obama vai visitar Espanha, que no Haiti Juiz liberta os oito americanos acusados da tentativa de traficar crianças, que Bill Clinton foi submetido a uma cirurgia cardiaca mas já recuperou, que Lady Gaga vence 3ª edição dos “Brit Awards” e que Drew Barrymore desmente casamento.


 

Cá por dentro consta que o Socrates queria calar o Mário Crespo, consta também que queria comprar a TVI para dominar a informação, consta por aí que existem escutas de tudo mas quem de direito afirma que não valem nada. A taxa de desemprego sobe vertiginosamente enquanto os salários descem vergonhosamente. Por falar em vergonha lembrei-me do meu sporting mas isso sinceramente não interessa mesmo nada. Alexandra Lencastre já não casa nem sequer namora e Filipe Pinto ganhou a edição dos idolos.


 

Cá por casa andamos sem tempo para nada. Cá por casa pedimos desculpa a quem tem comentado o atraso nas respostas mas também a falta delas. Cá por casa aproveitamos para informar que vamos estar menos assiduas durante uns tempos mas presentes de coração. Cá por casa o 3º canalizador solicitado não aparece, o electricista vai ter de aparecer e o senhor dos estores ainda é arrastado por uma mulher em furia. Cá por casa pedimos desculpa aos meus amigos do facebook mas desde já informo que continuo a resistir heroicamente à farmeville. Cá por casa Ele informou-me como devo tratar a gaveta moribunda, colocou a lampada fundida há anos, controlou-me a pressão dos pneus e aspirou-me o carro. Ele e Eles dão-se bem e fazem-me sentir orgulhosa de ter a sorte de que façam parte do meu mundo. Ele e Eu continuamos assim um nós onde o sorriso impera, o riso é uma constante e a felicidade veio para ficar.


 


 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo Eu mesma


 

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Quinta-feira, 11.02.10

Para recordar ... Pequenas Histórias

- E, já agora vê de desta vez acertas e não te esqueces do que te pedi. Santa paciência todos os dias a mesma coisa e tu pareces que não me ouves. Não ouves ou não queres ouvir.

 

António fechou a porta atrás de si mas ainda se apercebeu que a sua mulher continuara a falar. Sentia-se cansado de tanta lamúria, tanta cobrança e tanta humilhação. Sentia saudades de uma palavra de incentivo, de uma palavra de carinho ou mesmo de uma simples conversa onde não existissem acusações ou desconfianças.

 

Apaixonara-se por ela ao primeiro olhar. E, o engraçado que o que o atraiu nela foi o que anos mais tarde destruiu o amor. O ar seguro, a auto-confiança e a capacidade de decisão. O casamento aconteceu rapidamente fora ela que lho propo-ra  e ele aceitou sem sequer pensar. Nunca soubera se ela o amara como ele um dia a amou. Ela nunca lho dissera ele nunca lhe pedira para dizer.

 

Os anos sucederam-se em nascimentos de filhos, trocas de fraldas, escolas, trabalhos de casa e outro sem numero de actividades. O diálogo desapareceu com os anos. As discussões aumentavam ou melhor os monólogos porque António já nem sequer respondia.

 

Lembrava-se agora da primeira vez em que tentara apimentar o seu casamento. Fora aconselhado pelo seu melhor amigo. Amizade que mantinha em segredo porque Maria não podia sequer ouvir falar nela. Marcou um fim de semana fora e comprou-lhe um ramo de flores. Quando chegou a casa feliz e contente o seu mundo desmoronou-se. Maria não só recusou o fim de semana como também o acusou de ter outra e por isso mesmo a estar a querer mimar. "Deixa-te dessas parvoices homem que já não tens idade para isso" dissera-lhe ela.

 

Hoje viva encurralado numa vida que o fazia cada vez mais infeliz. Os filhos mal paravam em casa. Maria preocupava-se com tudo menos com o que ele sentia ou mesmo o que ele queria. Por vezes sentia que ela o desprezava. Por vezes sentia que a odiava. Outras vezes pensava que todos deviam viver assim e que tanta duvida era fruto da sua cabeça.

 

Por vezes olhava-a e procurava a mulher por quem o dia se tinha apaixonado. Hoje olhava-a e procurava aquela por quem se anulou. Ela parecia alheia a ele. Vivia demasiado preocupada com a vida dos outros, a vida de casa e tudo o que lhe interessava. Agora que pensava nisso tinha a certeza de que nunca tinha tido uma palavra de incentivo. Uma palavra de ânimo ou mesmo um gesto de carinho.

 

António era um romântico que criou um mundo dele. A sua imaginação voava para fora de si rumo a outra vida e a outras situações. Sonhava com a partilha, o companheirismo e com a ilusão de um dia poder ser amado. Sonhava cada vez mais com aquilo que sempre lhe fizera falta. Vivia uma vida que não era a sua porque deixara que um dia alguém tomasse conta dela.

 

Era cada vez mais frequente dar consigo a fazer planos de acabar com aquilo. De como iria fazer, o que diria aos filhos, onde iria viver e o que lhe iria dizer a ela. Visualizava as situações, ensaiava diálogos e enchia-se de coragem. Uma vez ainda tentara mas ela nem sequer o deixara terminar "olha o velho gaiteiro andas com alguma debaixo de olho" fora a resposta que obtivera. Nesse dia odiara-a como nunca a tinha odiado. Mas mais uma vez deixara-se ficar.

 

E, todos os dias sempre que saía de casa pensava que nunca mais ia voltar mas todos os dias faltava-lhe a coragem e a força necessárias.

 

- Um dia vou ser feliz - murmurou ele enquanto descia as escadas do prédio rumo ao carro - um dia vou conseguir.

 

 

 

Historia de ficção escrita por mim

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Quarta-feira, 10.02.10

Eu Fui … Tindersticks

 

 

 

O filho convidou para irmos aqui  e a mãe aceitou. A mãe não os conhecia mas ficou fã. Gostei da presença em palco. Gostei da ligação ao público sem que fossem necessárias palavras. Gostei da postura descontraída. Gostei deles e gostei do facto de ter como companhia o filho mais velho. Gostei do facto de pensar que são momentos como estes que fazem a diferença. Que são momentos como estes que me põe a pensar que o melhor da vida não é assim tão caro.

 

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Terça-feira, 09.02.10

Eu também tenho um Feeling

 

De que o mundo melhorou com a tua chegada. Que embora chova lá fora o teu sorriso faz com que o sol me aqueça por dentro. Que embora sopre o vento a única coisa que eu consigo ouvir são os teus murmúrios onde o amor é palavra-chave.

 

De que os dias estão mais felizes. Que de repente o difícil passou a ser fácil. A irritação passou a estado de graça. O mundo negro passou a ser cor de rosa . O que tinha importância deixou de o ter para ser substituído pelo que realmente importa.

 

De que eu Hoje mais que Ontem e de certeza menos que Amanhã estou onde quero estar, como quero estar e com quem quero estar.

 

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Segunda-feira, 08.02.10

Noticias em Forma de Post

 

Hoje dia  8 de Fevereiro posso afirmar que lá por fora o Haiti vive um caos social como nunca foi visto. Lula da Silva encontra-se sobre pressão. Chuvadas intensas matam no Brasil. Bruxelas aprova plano de recuperação para a Grécia. Turista perdido foi salvo por cibernauta a 500km de distância. Victoria Beckham afirma não ter ciúmes. Segundo fontes fidedignas a crise não afecta as estrelas e ao escultura de Giacometti “ O Homem caminhando I” tornou-se um recorde ao ser vendida pela quantia de 65 milhões de libras.

 

Cá por dentro é a crise, o Sócrates e a crise, o Sócrates e os aumentos, O Sócrates e as despesas, o Sócrates e os apoios. Por falar em Sócrates consta que ele ameaçou sair (só não percebi de ou para onde). O meu Sporting levou um tareão do Porto. Porto e Braga tem a maior taxa de mortes na estrada. Ronaldo diz que é atormentado pelo pai da ex que é bruxo e como se não bastasse foi derrotado por Nelson Évora na lista de Homens mais sexy. Ricardo Pereira afirma que só se casa uma vez. Rosa Lobato Faria morre e eu aproveito para lhe prestar a minha homenagem.

 

Lá por casa continuamos a acelerar pela manhã e a molengar pela noite. A mãe foi ao concerto com o filho mais velho, a filha do meio trava lutas contras as borbulhas que teimam em aparecer e a filha mais nova entusiasma-se na preparação do espectáculo de Hip Hop. Os cortinados estão não sei se caia não sei se fique, a gaveta continua na mesma ora encolhe ora incha. Eu devo ter qualquer coisa contra o s canalizadores que eles aparecem e desaparecem tal e qual o meu ordenado logo que é depositado na conta e Ele continua assim muito nosso.Novidades novidades só mesmo o facto de ter finalmente aderido ao facebook.

 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo Eu mesma

 

 

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Sexta-feira, 05.02.10

Dia de S. Nunca pela Tarde

Contaram-me que o dia era daqueles dias cheios de sol. A claridade incidia sobre o negro do pavimento e nas pedras da calçada outrora colocadas por quem conhece o oficio. Contaram-me que o céu nesse dia estava de um azul intenso tão intenso que parecia ter sido pincelado por um qualquer pintor cioso do seu trabalho. Contaram-me que as casas foram todas cuidadosamente caiadas de branco, os jardins primorosamente arranjados, as flores pareciam saber que algo se passava porque desabrocharam nesse dia como se também elas tivessem recebido convite para comparecerem à festa.

 

O vento agreste constante por essas bandas transformou-se em aragem. O frio que se fazia sentir nesta época do ano desapareceu como que por milagre e deu lugar a um dia ameno. Ao cheiro a calor, a jardins cuidados, a flores despertas juntava-se também o odor a comida onde as sobremesas se misturam com o prato principal e onde isso não faz qualquer diferença a não ser aos mais gulosos.

 

Contaram-me, mas eu também me lembro, que ao fundo conseguiam-se ouvir os murmúrios de quem fazia os últimos preparativos para que nada faltasse e nada corresse mal. Lembro-me, especialmente de espreitar pela janela do meu quarto e pensar que não se via ninguém. Lembro-me de me ter questionado se o mundo ia acabar porque era assim que me tinham contado que ia ser. Que um dia as pessoas iam desaparecer uma a uma, que em vez de vozes passaria a existir silencio e que quando menos déssemos por isso o mundo transformar-se-ia num local onde imperavam as coisas e deixavam de existir as pessoas. Contaram-me e com a idade de 6 anos eu acreditava no que me contavam.

 

Enquanto era vestido pela minha mãe, ela perante a minha insistência foi-me explicando o que iria acontecer. Explicou-me que era dia de S. Nunca. Contou-me que era um dia único e que só daí a muitos muitos anos é que voltaria a acontecer. Contou-me que os que passassem por esse dia iriam ser pessoas de sorte para vida e com via plena. Contou-me também que hoje tudo era permitido que hoje era o dia aquele onde tudo pode ser pensado ser pedido e ser sonhado.

 

Lembro-me de todos os habitantes da aldeia se terem reunido na praça principal. Estavam lá todos os que viviam na minha aldeia. A Dona Balbina da padaria com o seu cabelo louro cor de sol tão armado que ela parecia ter crescido uns centímetros. O Senhor Manuel da Mercearia com a sua camisa aos quadrados e o seu bigode que se via ter sido aparado. A Maria da taberna sempre com as suas roupas vistosas e o decote generoso. O senhor João dos Camiões com aquele ar sempre distante e meio distante. Agora que penso nisso lembro-me particularmente da Dona Georgina a velha alcoviteira, sempre vestida toda de preto, cabelo branco sempre preso em carrapito, com a sua mala sempre debaixo do braço. O que não esqueço é, sem sombra de dúvida, é aquele olhar mortal, de ódio a tudo e a todos.

 

Desculpem, perdi-me em imagens de infância quando o que queria era contar-vos efectivamente o que aconteceu. Dizia eu que nos reunimos todos na praça principal. A praça estava toda engalanada com bandeiras, flores, luzes e outro sem número de decorações que eu nem me atrevo a descrever tal era o mau gosto da coisa. Ao fundo estavam as mesas postas com toalhas brancas, flores de plástico a decorar e louça trazida de casa de uns e outros. No centro da praça encontrava-se o Doutor Doutor o nosso médico, veterinário e também muito ilustre Presidente da Junta de Freguesia. Fora ele que tomara a iniciativa, fora ele que nos convocara e fora ele que tomara a decisão. Perto dele encontrava-se o famoso cofre de S. Nunca.

 

E o que é o cofre do S. Nunca devem-se estar a perguntar todos vocês. E porquê todo este aparato? E porque está uma aldeia toda reunida à volta de um cofre? Ora eu passo a explicar. Conta a lenda que o Dia de S. Nunca só aparece quando o S. Nunca assim o deseja. Reza a história que nesse dia todos os desejos, sonhos, vontades e planos devem ser cuidadosamente colocados nesse cofre para que possam ser realizados. Diz-se também que nesses dias se deve festejar como Nunca se festejou, comer como Nunca se comeu, viver como Nunca se viveu, e ser quem Nunca se foi.

 

E foi justamente isso que aconteceu naquele dia de S. Nunca á tarde todos os habitantes colocaram um a um os seus pensamentos naquele cofre místico, depois seguindo a lenda comeram até não caber mais nada, cantaram até lhes faltar a voz, dançaram até cair para o lado, abriram corações, choram-se magoas, abraçaram-se inimigos, confessaram-se segredos inconfessáveis sempre como se não existisse amanhã.  

 

Os habitantes nunca mais foram os mesmos, a aldeia transformou-se da noite para o dia e o dia de S. Nunca foi e será sempre o dia em que tudo foi permitido. Existiram coisa de que me lembro e existem coisas que me contaram. O tempo fez-me perder a exactidão do momento, o sentir da situação e a importância de ter estado ali e ter vivido o que vivi.

 

Hoje voltei à aldeia, o dia de S. Nunca é já recordado por poucos e segundo me contaram o cofre desapareceu misteriosamente com ele desapareceram desejos e vontades, virtudes e defeitos, amores e desamores, sonhos e realidades

Historia de ficção escrita por mim para a Fábrica de Historias

 

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Quinta-feira, 04.02.10

Eu também tenho um feeling

 

 

Sabes o que gosto mais? Da sensação de calma uma calma que não se limita a ser aparente mas real. Da sensação de confiança que não se baseia em palavras mas em olhares e atitudes. Da sensação de segurança que me faz planear e agir, falar e consolidar e ter a certeza que é aqui que quero ficar.

 

Sabes o que gosto mais? Daqueles abraços, os nossos abraços aqueles onde me apetece ficar para sempre. Das gargalhadas que soltas sempre que digo as minhas coisas. Sabes, aquelas coisas que me dá vontade de dizer e que digo mesmo sem medos de censuras ou de análises criticas.

 

Sabes o que me apetece mesmo? envelhecer ao teu lado… assim naturalmente.

 

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Terça-feira, 02.02.10

Orgulhosamente Operária

A primeira vez que entrei na fábrica foi por puro acaso. Aventurei-me por caminhos que não conhecia e quando dei por isso não só estava já à porta como tinha entrado e visitado as instalações. Contrariamente ao que esperava ninguém me perguntou nada, ninguém me incomodou, ninguém sequer me disse que não poderia estar ali.

Quando voltei deixei-me ficar à porta a observar a fachada, gostei da arquitectura, gostei do logótipo e admirei-me com aquele cartaz enorme onde não só eram dadas as boas vindas como se anunciava a necessidade de operários. Resolvi entrar devagarinho, pé ante pé para observar, para perceber, para ter a certeza do que se fabricava por ali. Sou assim gosto de perceber, observar, ver tudo antes de me manifestar.

Passei pela sala de produção de letras mexi nos “as” nos “es” e observei os “f” e os “l”. Perdi-me na exposição de contextos observei durante horas os quadros do Amor, da felicidade, e da paixão. Caminhei pelas frases de ânimo e desânimo, encontros e desencontros, amores e desamores. Instalei-me a observar os parágrafos, li e reli ideias e certezas, posições e decisões. Retive-me com mais atenção nas pontuações, percebi que tenho preferência por virgulas e  pontos finais e que os pontos de interrogação não me seduzem. Por fim não sei por quanto tempo vaguei pelas histórias lendo-as e relendo-as vezes sem conta.

 Impressionei-me com o profissionalismo dos operários, a calma da Gerente  e o ambiente divertido de toda a Fábrica. Ri-me, emocionei-me mas a palavra certa para tudo o que senti foi a de admiração. Admiração pelo que vi, pelo que li mas mais pelo que senti. Admiração pelos operários que todas as semanas vestem a farda e se dirigem à linha de produção, operários que com a mesma matéria prima conseguem produzir resultados tão diferentes. Operários que através de letras produzem alegria e tristeza, riso e choro, gargalhadas e lágrimas. Operários que através da imaginação produzem sonhos que nos fazem pensar.

Hoje, passeio por todos os recantos da minha imaginação, visto a farda ponho-me a caminho e todas as semanas produzo aquilo que uma palavra me dá. Hoje eu posso dizer que sou orgulhosamente uma operária de uma fábrica de histórias mas prefiro dizer que sou orgulhosamente uma operária de uma fábrica de sonhos.

 

Este texto foi escrito para a Fábrica de Histórias aquando do seu aniversário. Hoje limito-me a acrescentar os meus agradecimentos à Fábrica e à Autores pelo apoio, paciência mas sobretudo por me fazerem acreditar, crescer, aprender e ter vontade de continuar!! 
 

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